Alfabetização Digital e a política de informação
Considerando o Brasil, uma política de informação deveria privilegiar ações de mudança da realidade, visando proporcionar ao País condições de competir no mercado internacional igualitariamente. Dentre os principais obstáculos está a atual situação de desnível sócio-econômico-educacional brasileiro em que, em oposição a ilhas de excelência em desenvolvimento científico, contrasta-se uma grande maioria de marginalizados informacionalmente.
Além das barreiras econômicas, os brasileiros não têm sido educados para produção e consumo de bens informacionais, menos ainda em meio digital. Numa sociedade organizada em torno da informação, como a que se configura, a educação tem seu papel multiplicado já que dela depende a formação de indivíduos capazes de aprender continuamente. Hoje não basta a capacidade de armazenar um grande volume de dados, já que num mundo de contínuas mudanças, estes dados logo estarão obsoletos. Atualmente é exigida a capacidade de atualizar-se durante toda a vida, o que envolve também habilidades de seleção e julgamento cada vez mais apuradas.
Para poder atuar nas mais diversas escalas de interação social: no trabalho, no grupo de amizades ou para o exercício da cidadania, manter-se informado é premissa básica. Isso pressupõe uma formação não só técnica, mas também em uma formação que desenvolva uma abordagem humanista para lidar com informações oriundas de diversas fontes e culturas, além do uso ativo, consciente e crítico da informação. De onde se conclui que a educação é a própria viabilizadora da ideia de Sociedade da Informação.
“Democratizar a informação não pode, assim, envolver somente programas para facilitar e aumentar o acesso à informação. É necessário que o indivíduo tenha condições de elaborar este insumo recebido, transformando-o em conhecimento esclarecedor e libertador, em benefício próprio e da sociedade onde vive.” (BARRETO, 1994).
Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação. Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender.
As instituições escolares têm o papel essencial de orientar os indivíduos nesse processo de aprendizagem, pois na Escola circulam informações constantemente. A partir desse processo de aprendizagem, o sujeito absorve informações e é estimulado a criar e recriar conceitos utilizando as novas informações, suas experiências e conceitos elaborados anteriormente. A interação constante entre sujeito e informação, acarretará a formulação de novos conhecimentos, que por sua vez possibilitarão a criação de novas informações.
Dentro do contexto da Sociedade da Informação, parece imprescindível que a escola passe a tratar o desenvolvimento da competência informacional de forma integrada ao currículo. Isso deve ocorrer não como uma disciplina a parte, mas permeando o universo da aprendizagem, onde os alunos são levados a usar os recursos informacionais na resolução de problemas, com senso crítico e de acordo com cada contexto.
“As competências mais elevadas de aprendizagem incluem a formulação de questões, a avaliação da informação de acordo com sua pertinência e exatidão, a organização da informação e, finalmente, a aplicação da informação para responder às questões originais – o último e mais valioso passo no processo.” (DUDZIAK, 2003).
O tratamento adequado às informações, nas instituições escolares, deve ser coordenado considerando que:
“[...] o papel do aluno não é o de ‘tarefeiro’, o de executar atividades, mas o de co-pesquisador, responsável pela riqueza, qualidade e tratamento das informações coletadas. O professor está atento às descobertas, às dúvidas, ao intercâmbio das informações (os alunos pesquisam, escolhem, imprimem), ao tratamento das informações. O professor ajuda, problematiza, incentiva, relaciona.”. (MORAN, 2000).
Outro ponto de interesse diz respeito à aproximação que o conceito de competência informacional pode fazer entre informação e cidadania: cidadãos mais aptos para o uso da informação têm melhores condições para decidir e exercer sua participação política com mais responsabilidade e consciência.
A inclusão da competência informacional no processo educacional, entretanto, requer mudanças que só podem ser implementadas a partir de políticas amplas de informação e educação integradas e focadas num objetivo comum.
O que se propõe é um alargamento do processo, englobando professores e método de ensino, o que exige, portanto, coesão entre políticas de informação e educação.
O conceito de alfabetização digital está relacionado à capacitação para uso das tecnologias de informação e comunicação em favor dos interesses e necessidades individuais e comunitárias, com responsabilidade e senso de cidadania.
Há controvérsias, ainda, sobre o termo que melhor denota o significado e mesmo na interpretação que se dá ao mesmo.
Para este artigo, no entanto, o entendimento de alfabetização digital alia a compreensão de alfabetização, de acordo com Freire, com o conceito de competência informacional. De acordo com Freire, não basta que o sujeito aprenda os signos da língua escrita, mas que os conceda significado e sentido, utilizando-os de forma crítica na construção do bem coletivo (FREIRE, 1981). A alfabetização freireana parte da realidade do alfabetizando e, com base nela, estimula o indivíduo a se apropriar do código escrito como meio para compreender e participar na vida pública com senso crítico. Competência informacional traz a relação entre as habilidades ligadas ao uso da informação eletrônica com responsabilidade social e cidadania.
Assim, parece imprescindível uma política de informação que, articulada com outras políticas públicas, como a educacional, privilegie a alfabetização digital e o desenvolvimento de competências informacionais como elementos formadores de um indivíduo cidadão. A organização das ações em torno de uma política pública é indispensável pelo caráter amplo que a política dá, ou seja, como meio de tornar a alfabetização digital um projeto abrangente e de caráter nacional, o que vem ao encontro da proposta de universalização no acesso à informação. A própria alfabetização escolar não seria massiva se não fosse pela transformação da educação em política pública.
REFERÊNCIA
Estudando informática na educação. Disponível em: <<https://www.primecursos.com.br/openlesson/10028/101576/>>. Acesso em 22 mar 2018
Nenhum comentário:
Postar um comentário